Religioso

Descrição

A Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, fica situada numa das encostas da Vila da Povoação, é constituída por cerca de 1200 habitantes, abraçando as Lombas do Loução e Alcaide, sendo a terceira maior do Concelho. Em 1957 foi elevada á condição de Paróquia, ficando livre da situação de curato da Matriz da Vila. A denominação de cada uma destas Lombas deve-se á presença de figuras e personalidades de renome e grande impacto na vida comunitária, como a de João Loução, que construiu na bacia hidrográfica da Povoação uma caravela para servir ao transporte e comércio, nos meados do séc.XVI.

Já no que se refere ao Alcaide, o nome fica dado pela presença da família dos Ferreira e Azevedo, que ali residiam, sendo estes alcaides desta nossa Vila de Povoação, no séc. XVII.

A Igreja Paroquial

Uma das atrações da comunidade aqui residente, como em quase todas as comunidades açorianas, é a “casa mãe” – a igreja paroquial.

Esta igreja começou a ser construída depois de 1753, verificando-se que em 28 de agosto de 1765, já estaria concluída, embora com dimensões de ermida.

Por esta ser uma comunidade simples e com dificuldades na data, o cura privado que respondia ás necessidades espirituais daquelas almas, teve de se retirar. Assim, achou-se por melhor agregar a Lomba do Alcaide à do Loução, e suprir as referidas carências. Com o crescente aumento da população que ali se fixava em maior número, a ermida da Senhora dos Remédios torna-se pequena para tanta gente, sendo necessário providenciar um templo maior.

A primeira pedra para a atual igreja foi lançada pelo cura padre Augusto Ferreira, em 1893. Auxiliou-o na construção do templo uma comissão de cavalheiros da localidade, comissão essa que, por sua vez, recebeu auxilio do Estado e do primeiro Marquês da Praia e Monforte. Um vogal dessa comissão, José da Silva Gaspar, percorreu a ilha inteira com a imagem da Senhora dos Remédios ao colo, pedindo esmola, de porta em porta, para a construção deste templo.

Ao longo de todos estes anos a igreja foi sofrendo várias intervenções visando a sua manutenção e qualidade para as celebrações litúrgicas que ali se vivem. Recentemente, no ano de 2002 deu-se a maior das intervenções, dos últimos 30 anos, naquela igreja, cujas obras decorreram por três anos (2002-2005) e foram levadas a cabo pelo pároco de então, Rev. Padre Roberto Jorge Cabral e a sua Comissão para os Assuntos Económicos. A obra de grande envergadura, tocou todos os aspetos considerados necessários e urgentes para a sustentação física do edifício e a condigna celebração dos mistérios da fé.

Recentemente, no ano de 2016, pelo atual pároco desta Comunidade Rev Padre André Jesus de Resendes e da sua Comissão para os Assuntos Económicos, foram feitas obras de requalificação e reconstrução da residência paroquial, que há mais de 40 anos não sofreu nenhuma intervenção e que bem necessitava. Após a referida atuação neste edifício paroquial, a “casa do padre” fica denominada como Residência Paroquial S. José, já que a casa mãe é dedicada à Virgem Maria e a residência ser vizinha desta.

Em junho de 2018, pela mão do mesmo pároco, foram reabilitados e automatizados os três sinos da igreja paroquial, que por questões de segurança e pelo avançar do tempo, se encontravam em avançado estado de degradação e sem condições de uso.

Ermida do Espírito Santo, na Lomba do Alcaide

O lugar da Lomba do Alcaide, faz parte desta nossa Paróquia, e constitui um foco com cerca de trezentas almas. Esta comunidade cristã, aqui residente, apesar de pequena é bastante ativa e organizada nos vários sectores da pastoral. Existem grupos de catequese, grupo coral, Mordomia do Espírito Santo e um grupo de Rosaristas, que tal como na Paroquial, têm a missão de recitar o Rosário, durante todo o ano.

A Lomba do Alcaide conheceu o seu primeiro templo religioso por volta de 1881, aquando de uma tempestade marítima que quase fustigou nau e marinheiros, e que ali construíram, com voto de promessa, um templozinho dedicado a Nossa Senhora da Bonança. Com o passar dos tempos, este templo foi entrando em ruínas, como se constou em 1885.

A recente ermida dedicada ao Divino Espírito Santo, teve a sua inauguração em 1984. Um espaço, para o seu tempo, bastante moderno, com traços muitos retos, capelas simples, dedicadas ao Senhor Santo Cristo, a São José, à Senhora da Conceição e à Senhora de Fátima.

Recentemente (entre Novembro de 2017 a Junho de 2018) por iniciativa do Padre André Resendes e da sua Comissão dos Assuntos Económicos), foram levadas a cabo obras de requalificação do espaço litúrgico no seu interior. Obras estas que contaram com o apoio das autarquias locais e regionais, e muito bem, das comunidades emigrantes, a saber da América e das Bermudas, bem como da generosa colaboração em massa, dos fiéis desta comunidade.

No âmbito destas obras, o Pároco desejou repor ao culto a imagem de Nossa Senhora da Bonança, cuja capela foi criada no vão da porta a sul, da Ermida, devolvendo assim, à comunidade cristã, este parágrafo da sua história, que não quis ver esquecida nem perdida no tempo. De salientar ainda, a criação de uma capela dedicada ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, no vão a norte, ao fundo da capela mor, visto o Senhor não ter encontrado ali, até a data, um espaço mais digno de habitar entre os seus irmãos.

Festividades Religiosas na Paróquia

A nossa comunidade é rica em festividades e manifestações religiosas, revestidas dos mais interessantes e variados tons, temas e modos de celebrar.

Anualmente são realizadas as festividades em honra do Divino Espírito Santo (Mordomia), que conta com um cartaz semelhante ao que acontece por todo o arquipélago. Há arraiais, recitação do terço em casa dos irmãos que tiraram as “sortes” ou “domingas”, para todo o ano. Uma curiosidade é a recitação do terço ao Espírito Santo, durante todo o tempo da Quaresma, na casa de quem fica com a 1ª Dominga (zela pelo Espírito Santo, em sua casa, todo o ano). No domingo de Pentecostes, há missa na Paroquial com o rito das coroações.

A comunidade do Alcaide, por ter como seu Titular o Divino Espírito Santo, estende as suas maiores festividades religiosas ao Divino, na segunda feira após o Pentecostes, conhecida como 2ªfeira “da pombinha” coincidente com o dia da Autonomia. Ali, há lugar para a missa solene de festa com coroações e pela tarde, sai em procissão litúrgica (uma raridade local e/ou arquipelágica) o Senhor Espírito Santo. São celebradas ainda, as datas do nascimento de São João Batista (Mordomia de São João) que no seu cartaz, atrai á freguesia muitos visitantes, por ocasião das Marchas Populares de São João.

Os mordomos, desde 2016, acresceram ao seu programa religioso, além da missa solene e das coroações, uma vigília, chamada “da água”, uma vez que o seu padroeiro era o “batista, das margens do Jordão”.

Também é celebrado o dia de Santo António.

Recentemente, por esta Paróquia ter grande número de afilhados de São José e muitos devotos do esposo castíssimo de Maria, ouvidos os fiéis desta Comunidade, e perante grande manifestação de fé junto do seu Pároco, foi criada e ereta canonicamente, no ano de 2017, a Irmandade do Glorioso Operário São José, que presenteia a família cristã, com mais uma festividade, que se realiza no primeiro fim de semana de maio, visto esta invocação ser de “São José Operário”, que protege os trabalhadores. A missão desta nóbel irmandade, além do culto ao padroeiro universal da igreja, é a de dar respostas efetivas, ás necessidades materiais dos irmãos mais carenciados. Conta também com a solene procissão pelas artérias da freguesia, à qual ocorrem grande número de fiéis e “irmãos”, daqui e arredores.

No terceiro fim de semana de setembro, têm lugar as grandes festividades em honra da Mãe desta nossa Casa – Nossa Senhora dos Remédios. As festas, desde 2017, com a chegada do atual Pároco, contam com a celebração dos Tríduos preparatórios, na comunidade do Alcaide (visto a procissão não chegar ali). No dia maior, o domingo, há missa festiva em memória da Mãe de Jesus, á qual acorrem grande número de devotos e, na tarde daquele dia, sai a Estrela Maior da Paróquia, a grande Senhora dos Remédios, a saudar os seus diletos filhos, que de uma forma majestosa e bela, ornamentam e decoram as ruas para a procissão, de forma soleníssima como sede um “Te Deum” se tratasse.